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Quem sou eu ? Get in to know a litle more. Carioca, jornalista, investidor(trader de ações na bolsa), escritor, flamenguista,25 anos,não fumante( de nada),não alcoólatra(bebo socialmente) e solteiro. Orkut: Pablo Rocha Santoro Twitter: PabloSantoro Msn: cariocanoeua@hotmail.com

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Pirataria, a hipocrisia da globalização.

Aqui vai mais um post polêmico, contudo — acredito eu, bem fundamentado.

Neste texto vou abordar a questão da pirataria. Não a produção, falsificação ou cópia. Vou escrever em um âmbito mais profundo, que vai além da relação entre causa e efeito composta nos noticiários jornalísticos, seja com o recente operação Choque de Ordem do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, ou do vazamento na internet de filmes como Wolverine e Tropa de Elite, antes do próprio lançamento nos cinemas.

Acredito que não possamos ver a situação apenas pela ótica dos governos ou dos artistas. Existem outros atores compondo este cenário, como por exemplo, o elo de ligação entre quem compra a pirataria e quem vende. O ambulante.

A mídia sempre condena quem faz pirataria, a GM e a PM fecham cada vez mais o cerco contra quem vende a pirataria, emendas constitucionais propostas pelos governantes auferem status de criminoso a estes indivíduos e, subsequentemente, a população toma o papel do judiciário julgando e taxando estas pessoas como: violadores da arte, da ética, da moral e da sociedade.

Mas pêra aí, será que esta mesma pessoa que condena, nunca baixou uma música, assistiu um filme pirata, usou um programa (seja o windows, office ou qualquer outro), deixando de pagar os devidos direitos autorais de quem os fez? Claro, sem esquecer do governo, que recebe grande parte do dinheiro embutido em todos os bens que a sociedade consome mas, nunca satisfeito, ques sempre mais e mais.

Vamos por partes, quero analisar cada um dos agentes presentes neste cenário: o governo, o artista, a produtora, o consumidor e o vendedor.

Primeiro e, mais importante, vamos analisar o vendedor.
Antes de mais nada, quero que deletem de suas mentes as campanhas do governo contra a pirataria. Esqueçam as peças publicitárias dos produtores falando que pirataria é tráfico, ou que vai danificar o aparelho. Deixe de lado também os apelos dos artistas se passando por pobres coitados. Pensem apenas no vendedor. Única e exclusivamente nele. O que leva ele a infringir a lei ? Por quê ele está ali ? Com certeza não é porque quer, é porque precisa. Lembra daquela história contada pelos vendedores de balas nos ônibus? "eu poderia estar matando, eu poderia estar roubando, mas estou aqui trabalhando" . O mesmo discurso pode ser aqui aplicado. Imaginem as dificuldades que estas pessoas, assim como todos de baixa renda, enfrentam e já enfrentaram na vida, que aliadas a falta de oportunidades, se tornam a razão pela qual eles ali estão, contra tudo e contra todos, infringindo a lei. Aliás, eles tiveram opção sim, poderiam ser flanelinhas, ladrões, assassinos, traficantes ou mendigos, mas não, escolheram sustentar a sí mesmos e suas esposas e filhos de forma honesta, por mais que seja por um meio anticonstitucional. Agora reflitam e respondam a vocês mesmos: "a quem eles estão prejudicando, quem perde com isso?"

O artista? Bom, eles reclamam da pirataria mas esquecem que moram no Morumbi, no Leblon, no Golden Green, que andam de Mercedes, Audi ou BMW. O pior de tudo é que eles não estudaram para serem ricos, eles nasceram com o talento e isso lhes foi suficiente (provavelmente se não tivessem este talento seriam mais um comprando ou vendendo pirataria). Claro que eles batalharam e lutaram para chegar onde estão. Tiveram que superar barreiras e também outros concorrentes. Contundo, independente do percurso que fizeram, hoje eles são RICOS. Mas mesmo assim, reclamam, eles querem mais, querem que o povo que não teve a sorte de nascer com o talento igual ao deles, nem ter nascido em berço de ouro, use o pouco dinheiro que o governo permite sobrar, para comprar tudo original e encher ainda mais o bolso dos artistas, quem sabe para uma férias em Ibiza, um passeio por Veneza ou uma temporada de compras na Times Square.
Não quero com isto dizer que os artistas não são merecedores de seus direitos autorais, eles são sim, mas por outro lado, eles não tem do que reclamar. Acredito que eles deveriam aproveitar a sorte que tiveram e a posição social que ocupam, para fazer ações sociais desfocadas do Ibope e marketing pessoal, participando de ongs, ou apoiando às necessidades do planeta como o desmatamento, conservação das águas, reciclagem e aquecimento global. Alguns até fazem, mas com o foco no marketing e no Ibope, e isto para mim não é ajudar ao próximo, isto é visar uma melhora na imagem perante a massa.

A produtora: Estes são outros que já estão milionários a muito tempo. Porém, ganham dinheiro explorando os artistas com contratos absurdos em proporções que chegam a ser de 25%(artista) para 75%(produtora), condicionando o sucesso à aceitação de que: primeiro o artista enriquece a produtora para depois a enriquecer si mesmo. Ainda me aparecem com peças publicitárias comparando os traficantes de drogas ou armas com o vendedor ambulante. Por mais que a produtora esteja à mercê do governo, que com a a alta carga tributária obrigam as produtoras a precificar os produtos com preços exorbitantes, haveria espaço para preços menores e com certeza produtos melhores, se eles não se preocupassem em sempre pirâmidiar os lucros verticalmente. O mesmo ímpeto apresentado para combater a pirataria, poderia ser usado em criar ongs profissionalizantes nas comunidades, descobrindo novos talentos e tirando alguns da pobreza, ou até mesmo, convertando a renda de um determiado show ou produto, em benefício de uma comunidade - como o Mc dia feliz por exemplo -mas como isto é papel do governo, se torna uma situação de "toma lá da cá".

O governo: Talvez seja este o grande vilão da história. Nos obriga a pagar uma das maiores cargas tributárias do mundo(tema para o próximo post). O salário mímino é menos de 500$, enquanto o cinema custa no mímino 15. Agora, uma conta básica, um casal com 2 fihos, indo ao cinema, embutindo no preço final um lanche no BOBS, uma pioica sei lá, mais transporte, este casal gastaria no barato 100$. E desses 100$ o governo estria levando no mínimo uns 25$, pois teve imposto não só no filme , mas também na pipoca, no lanche, no transporte , EM TUDO. O que é muito pior para o pobre, pois esses importos embutidos, são para TODOS. O rico paga a mesma carga tributária. E o que o governo faz para conter isto? NADA. Não da opção de vida para as pessoas com baixa renda e sempre tenta remediar a situação ao invés de ir resolver o problema na raiz. Por quê não tiram das ruas estes ambulantes, oferece a eles um curso técnico ou profissionalizante – de preferência próximo a residência— ? Que tal oferecer uma ajuda de custo durante o curso e depois um programa de inserção no mercado de trabalho? Acho que isto tudo daria muito trabalho, ou gastaria muito dinheiro. O importante para eles é descobrir novos meios de usurpar a população, de tomar mais e mais dinheiro a cada ano com a manutenção da carga tributária. E por outro lado, existe um aumento do salário mínimo, incondizente com a inflação.
Ano após ano continuam remediando. É muito mais fácil retirar das ruas ou prender os ambulantes, impedindo que suas respectivas famílias sejam sustentadas. Da mais ibope chamar a mídia, retirar os menores e os mendigos das ruas sem oferecer nenhum tipo de auxílio, mesmo sabendo que eles irão voltar 24hrs depois. Desta forma passam a falsa sensação de estarem resolvendo o problema e continuam a gastar o nosso dinheiro pagando os salários de gabinetes, câmara e senado inflacionados — ou até mesmo construindo castelos. Cargos estes, vale lembrar, oriundos do que a mídia chama de nepotismo. Facilitando para o entendimento de todos, é o ato de conceder cargos à parentes e amigos. Enquanto os políticos tem castelo, jatinho e fazendas, o governo me inventa um programa "Minha casa minha vida", altera o rendimento da poupança para "proteger o pobre e o pequeno investidor". Calma aí né, isto é o que? Piada? Só pode. O infeliz para ter a casa própria - de péssima qualidade, montada em algumas horas, e que mesmo assim, até hoje não foi colocada em prática - vai pagar ao fim dos sei lá, 20 anos, uma enormidade de juros, enquanto na poupança, míseros 6% ao ano, que descontada a inflação fica menor ainda. Mas fazer o que né, infelizmente a população se deixa enganar e ainda apoia este gorverno nine finger do molusco cachaceiro.
Ao meu ver, o governo antes de fazer campanha contra a pirataria e reprimir os ambulantes, deveria diminuir a carga tributária, o que abaixaria o preço final das mercadorias, deveria aumentar significativamente o poder de consumo do brasileiro, e principalmente, criar oportunidades de estudo e trabalho para os habitantes de comunidades, para as pessoas que ganham pouco. O dia que houver isto no Brasil eu apoiarei qualquer medida do governo para combater esta chamada pirataria. Antes disso, permaneço com a minha visão de que isto é uma hipocrisia, é uma ganância de querer aumentar o lucro do estado. É querer vender pauta para a mídia, e esta, por sinal, sempre “imparcial”, acaba por se negligenciar e se tornar um fantoche de marionete nesse jogo hipócrita entre governo, produtoras e artistas.

O consumidor: A ponta final da equação. Bom, me expliquem como um cidadão que ganha um salário mínino vai ter condições de ir ao cinema pagando R$20 reais por pessoa, comprar livros, DVDs e CDs originais, assim como programas de computador ou jogos de videogame. O governo mete a mão no imposto e as produtoras para compensar, aumentam mais ainda o preço final. Não precisa ser muito inteligente para ver que a solução disso é a pirataria. Certa vez chegou a ser engraçado, discutindo com um aluno de cinema sobre isto, ele estava à defender veemente a luta contra a pirataria. Eu de um lado mostrando a causa dela, explicando que o cara que ta ali vendendo está apenas trabalhando para sustentar a família, e quem está ali comprando, o faz por não ter recursos nem condições de comprar o original, ou simplesmente não quer financiar a roubalheira do governo e o abuso das produtoras. Enfim, quando percebi que não poderia convencê-lo, decidi apelar e o interpelei perguntando: “quantas vezes você já fumou maconha na sua vida, ou tenha comprado outro tipo de entorpecente?” Ele apenas sorriu e me deixou prosseguir, “você entrega o seu dinheiro para o traficante, sustenta o narcotráfico—assim como grande parte dos jovens no mundo— e acha errado eu dar meu dinheiro para o cara que também como o traficante é vítima do governo, mas trabalha de forma honesta?” Após isso ele ficou calado por um tempo, respirou fundo, mas continuou a defender o governo, os artistas e os produtores, vai ver a maconha consumiu o senso crítico dele.

Conclusão: A culpa não é de quem compra, nem de quem vende, é de quem produz e principalmente do governo. O advento da internet, a revolução tecnológica e a globalização contribuíram diretamente para o surgimento e propagação da pirataria, pois os produtos ching ling(chineses), os produtos paraguaios e até mesmo a pirataria individual são frutos diretos destes acontecimentos.
Mas não adianta tentar mudar a ótica de avaliação dos players deste jogo, porque o jogo das mídias e dos governos já esta fixado nas mentes das pessoas de forma subliminar. Ele já vem sendo jogado desde quando você abriu seus olhos pela primeira vez. A televisão, as drogas, as bebidas, a própria internet e assim como os órgão governamentais, impedem as pessoas de despertar para a realidade, desvirtuam as pessoas para a cultura do inútil. A grande maioria das pessoas são céticas ou simplesmente acreditam em tudo que aparece na TV, em tudo o que o governo fala.
Gente, pelo amor, leiam mais, se informem mais, avaliem tudo que acontece sempre buscando diferentes pontos de vista. Os jovens são o futuro do mundo mas a forma como conduzem suas vidas me leva a ficar desacreditado em uma vitória sobre o sistema.

Pablo Rocha